Dia Mundial da Prevenção do Bullying
Hoje é um dia muito importante! O Dia Mundial da prevenção contra o Bullying. Algo que sempre houve nas escolas, quer física quer psicologicamente, embora não se lhe desse este nome... Mas que tem vindo a crescer assustadoramente nos últimos anos.
Como todos sabemos, o bullying é caracterizado por atos sucessivos e constantes de violência (física e/ou psicológica) infligidos por um indivíduo ou um grupo, numa relação de poder desigual. Aplicada em contextos isolados, de forma a que o agredido seja privado de qualquer eventual socorro. E colocando-se fora da linha de punição. Ato muitas vezes usado como forma de “marcar território” e de gerar temor (o único tipo de “respeito” que o medo gera). Ato muitas vezes exigido a indivíduos como espécie de ritual para a entrada num grupo. Situação tão desejada na infância e com uma importância exponencial na adolescência, na construção da identidade pessoal: o sentimento de pertença, de aceitação.
Através desses atos, o(s) agressor(es) “superioriza(m)-se” em relação aos demais. Alimentando assim o seu ego, numa tentativa de “calar” a desorganização interna vivida. Estima-se que existem cerca 25% de casos de bullying atualmente, dos quais 20% são constituídos pela dicotomia vítima-agressor. Muitas vezes os agressores são vítimas em casa de agressões físicas e psicológicas e, como não têm capacidade física de resposta, escolhem vítimas desiguais nas quais descarregam a raiva que nutrem pelo seu agressor, reproduzindo-o. Outras vezes são simplesmente vítimas de negligência e falta de amor daquele que é o centro da nossa formação: a família.
Sim, a nossa sociedade está muito exigente. Sim, cada vez mais os pais têm mais obrigações. Jornadas mais longas de trabalho. Trânsito infernal. Ritmos alucinantes de um lado para o outro, em busca de conseguirem fazer face às despesas e a todas as exigências da vida. E por isso os filhos acabam por muitas vezes ficar entregues a si mesmos. Aos professores… À televisão… À internet (expostos ao cyberbullying [uso das tecnologias para comportamentos de ostracismo direcionado a um indivíduo, sob forma de humilhação pública])… Aos jogos (que a maior parte das vezes são de lutas e violência)... E depois ainda nos admiramos. E constantemente ouvimos comentários de “como é possível um casal tão distinto… tão correto… tão humano… ter filhos assim”, etc…
Experimente ficar um dia inteiro a ver lutas. Levanta-se cedo e, entre programas de luta livre, jogos de lutas e guerras e filmes de tiros, facadas e explosões, assim passe o seu dia todo. Vai ver que depois dessa “estupada”, ao mínimo aborrecimento, seja no trânsito ou na fila do supermercado, o seu primeiro instinto será lidar com o stress “à chapada”. Isto porquê? “Tudo o que entra sai”! De certo que já ouviu por aí diversas vezes esta “sabedoria popular”. Se só lhe entra violência, naturalmente sair-lhe-á violência. Se só lhe entra desrespeito, tendencialmente estará inclinado a desrespeitar o outro. Se só lhe entra negligência, rapidamente lhe sairá negligência. E por aí em diante…
Ninguém no seu perfeito juízo deixa um bebé, quer tenha dias ou mesmo meses, sozinho. Porquê? Porque sabemos que não tem capacidade para gerir a sua existência e suprir as suas necessidades sozinho. Precisa de ajuda nesse sentido. E posteriormente, quando mais crescido, necessita de ir aprendendo, de forma física e emocionalmente securizante, pequenos passos no sentido da autonomia. No entanto, deixamos muitas vezes crianças e adolescentes (por força das circunstâncias, falta de alternativa ou por pura negligência) entregues a si mesmos, numa fase de aprendizagem e construção de valores, caráter, identidade pessoal. Completamente abandonados à sua sorte… Completamente desamparados… Não autónomos… Num ambiente nada securizante emocionalmente. E depois espantamo-nos… “Como é possível?”, “Não andei a criar um filho para isto!”, “Como é que não aprendeste com os meus exemplos?!?”, “O que é que os outros irão pensar…” (Aliás, só este tipo de questões que regularmente surgem, já é por si só muito revelador, não acha?!?)
O que fazer então para prevenir e dirimir este flagelo social, que é o Bullying?
Famílias precisam-se! Famílias no seu verdadeiro sentido da palavra… Famílias saudáveis. Famílias securizantes. Famílias que desfrutam dos seus membros. Famílias que não relegam para outros os seus DEVERES PRIMORDIAIS. Famílias que amam. Famílias que perdoam. Famílias que reconhecem seus erros e os emendam. Famílias que cuidam. Famílias que promovem o desenvolvimento e bem-estar físico, psíquico e individual. Famílias que suprem as necessidades emocionais. Famílias que se doam. Famílias que têm prazer em estar juntas. Famílias nas quais o mais importante é cada membro, e isso é expresso comportamentalmente, e não só por palavras. Famílias que elogiam. Que valorizam. Que promovem o outro. Famílias que vivem o amor incondicional. Famílias que respeitam e amam o próximo. Enfim… Famílias… Não famílias perfeitas ou sem problemas, até porque tais não existem. Mas famílias que fazem de cada problema uma aprendizagem e de cada falha uma oportunidade. Sempre centradas no mais importante: o amor e disponibilidade de amar. Famílias… (Com F grande)
Afinal de contas de que nos serve dar-lhes o mundo inteiro se para isso não conseguimos dar o bem mais precioso de todos: o nosso tempo. Alguém disse que "o mundo não se importará com o que dizes, enquanto não souber o quanto te importas". Na família esse facto torna-se ainda mais visível! Ninguém se importa com o amor que diz ter, se não retirar tempo para se doar. E mais, todos nós sabemos que as crianças aprendem por imitação. Espelham-nos. Se não temos tempo para nos doarmos e assim irmos manifestando o nosso amor de forma concreta, como irão elas aprender a amar verdadeiramente?!? O amor, o verdadeiro, é prático. Exige ação. Concretização. Compromisso. Doação.
Caos gera caos. Amor, gera amor.
Esta sociedade precisa de pais que se doem, sejam altruístas, amem e se comprometam com os seus filhos. Só assim traçaremos um novo rumo.
Vamos lá prevenir o bullying! Começa comigo!... Consigo!... Começa no melhor lugar onde estar… Começa em casa!!!
Como todos sabemos, o bullying é caracterizado por atos sucessivos e constantes de violência (física e/ou psicológica) infligidos por um indivíduo ou um grupo, numa relação de poder desigual. Aplicada em contextos isolados, de forma a que o agredido seja privado de qualquer eventual socorro. E colocando-se fora da linha de punição. Ato muitas vezes usado como forma de “marcar território” e de gerar temor (o único tipo de “respeito” que o medo gera). Ato muitas vezes exigido a indivíduos como espécie de ritual para a entrada num grupo. Situação tão desejada na infância e com uma importância exponencial na adolescência, na construção da identidade pessoal: o sentimento de pertença, de aceitação.
Através desses atos, o(s) agressor(es) “superioriza(m)-se” em relação aos demais. Alimentando assim o seu ego, numa tentativa de “calar” a desorganização interna vivida. Estima-se que existem cerca 25% de casos de bullying atualmente, dos quais 20% são constituídos pela dicotomia vítima-agressor. Muitas vezes os agressores são vítimas em casa de agressões físicas e psicológicas e, como não têm capacidade física de resposta, escolhem vítimas desiguais nas quais descarregam a raiva que nutrem pelo seu agressor, reproduzindo-o. Outras vezes são simplesmente vítimas de negligência e falta de amor daquele que é o centro da nossa formação: a família.
Sim, a nossa sociedade está muito exigente. Sim, cada vez mais os pais têm mais obrigações. Jornadas mais longas de trabalho. Trânsito infernal. Ritmos alucinantes de um lado para o outro, em busca de conseguirem fazer face às despesas e a todas as exigências da vida. E por isso os filhos acabam por muitas vezes ficar entregues a si mesmos. Aos professores… À televisão… À internet (expostos ao cyberbullying [uso das tecnologias para comportamentos de ostracismo direcionado a um indivíduo, sob forma de humilhação pública])… Aos jogos (que a maior parte das vezes são de lutas e violência)... E depois ainda nos admiramos. E constantemente ouvimos comentários de “como é possível um casal tão distinto… tão correto… tão humano… ter filhos assim”, etc…
Experimente ficar um dia inteiro a ver lutas. Levanta-se cedo e, entre programas de luta livre, jogos de lutas e guerras e filmes de tiros, facadas e explosões, assim passe o seu dia todo. Vai ver que depois dessa “estupada”, ao mínimo aborrecimento, seja no trânsito ou na fila do supermercado, o seu primeiro instinto será lidar com o stress “à chapada”. Isto porquê? “Tudo o que entra sai”! De certo que já ouviu por aí diversas vezes esta “sabedoria popular”. Se só lhe entra violência, naturalmente sair-lhe-á violência. Se só lhe entra desrespeito, tendencialmente estará inclinado a desrespeitar o outro. Se só lhe entra negligência, rapidamente lhe sairá negligência. E por aí em diante…
Ninguém no seu perfeito juízo deixa um bebé, quer tenha dias ou mesmo meses, sozinho. Porquê? Porque sabemos que não tem capacidade para gerir a sua existência e suprir as suas necessidades sozinho. Precisa de ajuda nesse sentido. E posteriormente, quando mais crescido, necessita de ir aprendendo, de forma física e emocionalmente securizante, pequenos passos no sentido da autonomia. No entanto, deixamos muitas vezes crianças e adolescentes (por força das circunstâncias, falta de alternativa ou por pura negligência) entregues a si mesmos, numa fase de aprendizagem e construção de valores, caráter, identidade pessoal. Completamente abandonados à sua sorte… Completamente desamparados… Não autónomos… Num ambiente nada securizante emocionalmente. E depois espantamo-nos… “Como é possível?”, “Não andei a criar um filho para isto!”, “Como é que não aprendeste com os meus exemplos?!?”, “O que é que os outros irão pensar…” (Aliás, só este tipo de questões que regularmente surgem, já é por si só muito revelador, não acha?!?)
O que fazer então para prevenir e dirimir este flagelo social, que é o Bullying?
Famílias precisam-se! Famílias no seu verdadeiro sentido da palavra… Famílias saudáveis. Famílias securizantes. Famílias que desfrutam dos seus membros. Famílias que não relegam para outros os seus DEVERES PRIMORDIAIS. Famílias que amam. Famílias que perdoam. Famílias que reconhecem seus erros e os emendam. Famílias que cuidam. Famílias que promovem o desenvolvimento e bem-estar físico, psíquico e individual. Famílias que suprem as necessidades emocionais. Famílias que se doam. Famílias que têm prazer em estar juntas. Famílias nas quais o mais importante é cada membro, e isso é expresso comportamentalmente, e não só por palavras. Famílias que elogiam. Que valorizam. Que promovem o outro. Famílias que vivem o amor incondicional. Famílias que respeitam e amam o próximo. Enfim… Famílias… Não famílias perfeitas ou sem problemas, até porque tais não existem. Mas famílias que fazem de cada problema uma aprendizagem e de cada falha uma oportunidade. Sempre centradas no mais importante: o amor e disponibilidade de amar. Famílias… (Com F grande)
Afinal de contas de que nos serve dar-lhes o mundo inteiro se para isso não conseguimos dar o bem mais precioso de todos: o nosso tempo. Alguém disse que "o mundo não se importará com o que dizes, enquanto não souber o quanto te importas". Na família esse facto torna-se ainda mais visível! Ninguém se importa com o amor que diz ter, se não retirar tempo para se doar. E mais, todos nós sabemos que as crianças aprendem por imitação. Espelham-nos. Se não temos tempo para nos doarmos e assim irmos manifestando o nosso amor de forma concreta, como irão elas aprender a amar verdadeiramente?!? O amor, o verdadeiro, é prático. Exige ação. Concretização. Compromisso. Doação.
Caos gera caos. Amor, gera amor.
Esta sociedade precisa de pais que se doem, sejam altruístas, amem e se comprometam com os seus filhos. Só assim traçaremos um novo rumo.
Vamos lá prevenir o bullying! Começa comigo!... Consigo!... Começa no melhor lugar onde estar… Começa em casa!!!
Marta De Brito Cunha
Psicóloga Clínica