Marta de Brito Cunha
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Resgate do primordial amor: o amor-próprio

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Com o dia dos namorados à porta, veem-se as lojas, anúncios e sites, entre outros, tudo a dar sugestões em torno da temática. Os casais começam a fazer planos. A comprarem prendas. A preparar surpresas. Marcações de jantares românticos. Enfim…


Enquanto uns se deixam levar pela “magia” da data e aproveitam para “apimentar” um pouco a relação. Outros lá cedem ao “temos que assinalar a data, se não parece mal”, quando na verdade querem é estar a ver a bola ou a novela. E em meio a toda esta azáfama que se gera entre os casais em vésperas de S. Valetim, temos aqueles que, estando sós, choram esta data como uma punhalada no peito. E repetem para si mesmos, vezes sem fim, frases como “este é o último ano que passo o dia dos namorados sozinho(a)! Enquanto lambem as feridas ainda por cicatrizar.


Sim, esta é uma data amada por uns, ignorada por outros, e odiada por outros tantos. Que desperta muitos sentimentos díspares.
No entanto creio que nesta data em que se “celebra o amor” e os apaixonados, o amor primordial e base para tudo não pode nem deve ser deixado de lado. Aquele amor sem o qual todas as relações vão falhar. Aquele amor sem o qual não conseguimos ir mais além. E não conseguimos verdadeiramente e abnegadamente amar. O amor-próprio!
Sim… esse mesmo! A peça fundamental sem a qual nada funciona eficazmente! Se é um facto que excesso de amor-próprio pode destruir uma relação. A falta dele também o pode e fá-lo tantas e tantas vezes. Para além de destruir a relação primária de todas: a sua consigo mesmo! 


Quer esteja numa relação de anos, recente ou sozinho, aprenda a amar-se tal como é. Tenha consciência dos seus defeitos, a fim de que possa ir tentando colmatá-los. Mas esteja igualmente bem ciente das suas qualidades. E faça proveito delas. Valorize-se! Doutra forma trará muitos aspetos negativos à sua relação. 
Ao não se amar adequadamente:
- dá ao outro um conceito errado de si mesmo. Conceito esse a partir do qual ele(a) se relacionará consigo.
- ao relacionar-se com o outro estará com o foco errado. Em vez de estar a dar à relação, a acrescentar, a promover o melhor do outro. Estará a retirar da relação. Retirar tudo aquilo que necessita para se “apaziguar” consigo mesmo. Não se estará a relacionar para o bem-estar do outro, mas para o seu próprio proveito.
- irá analisar todo o comportamento do seu parceiro com base nas suas mazelas. Interpretando atitudes e até intenções com base nisso. Podendo ficar com uma falsa perceção da realidade.
- irá usar o seu parceiro como uma espécie de “curandeiro pessoal”. Como aquele que tem que sarar as feridas que outro(a) provocou. Ficando a responsabilidade da sua “recuperação” e “revalorização” não em si mesmo, mas nele. Nalguém que seguramente, como ser humano real que é, irá falhar mais cedo ou mais tarde. E não pode ter essa responsabilidade.
- estará sempre a exigir do outro desmesuradamente. Criando muitas e elevadas expectativas. Expectativas estas que muitas vezes o podem esmagar.
- criará uma relação de dependência. Anulando a sua personalidade e vontades próprias. Destruindo um pouco mais a sua autoimagem.
- passa uma extrema insegurança para a relação. Podendo vir até a sofrer de ciúmes exacerbados.
- acabará por causar mazelas ao seu parceiro quando as suas necessidades não forem supridas. Deixando passar o sentimento de insuficiência para si, da parte dele.


Enfim… Só é possível verdadeiramente amar, sem esperar nem pedir nada em troca. Doarmo-nos de corpo e alma. Quando sabemos bem quem somos. Como somos. O que temos de positivo e de negativo. E gostamos de nós. Valorizamo-nos. E o outro não é um prolongamento de nós mesmos, mas sim um complemento. No qual a nossa energia é investida por ele, seu valor, seu caráter, seu encanto, e não por nós mesmos. Pelas nossas necessidades e dores.


Se estiver só, não fique carpindo as dores. Fazendo pouco de si mesmo e dos seus requisitos. Celebre o seu amor por si mesmo. E comece o processo de construção de uma autoestima e autoimagem sadia.

Se tiver acompanhado vai ver que uma pessoa segura e que se valoriza é muito mais sensual. O(a) seu(ua) parceiro(a) vai apreciar bastante…


Nesta época de celebração do amor, descubra-se, compreenda-se, mime-se e enamore-se por si. Inicie o resgate de um grande e importante amor: o amor-próprio. E liberte-se para verdadeiramente e abnegadamente amar.

Marta De Brito Cunha
Psicóloga Clínica
[email protected]